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October 17, 2009
Os Purismos na Cultura
A razão de os purismos na cultura darem normalmente merda, advém do facto de eles se centrarem em meia dúzia de umbigos e respectivos interesses e pouco terem a ver com cultura.
Nestas eleições autárquicas encontrei por acaso a foto de candidato que conheço bem desde os tempos de liceu, conheço o seu percurso académico e o seu percurso profissional e sei com certeza quase absoluta que a ultima vez que pegou num livro o deve ter feito por alguma obrigação curricular. No entanto por baixo da sua cara e do seu nome, vinha a sua ocupação profissional. Nada mais nada menos que “gestor cultural”…o que quer que isso seja??? (falta dizer que a respectiva pessoa não acabou o primeiro ano de direito, o qual frequentava na católica).
Quando falamos da renovação de gerações e apontamos por norma a politica como alvo dessa ausência, a hipocrisia reinante não podia ser maior, uma vez que e apesar de todos os defeitos a politica ainda é onde existe maior regeneração, mesmo sendo essa regeneração por motivos mais dispares (muito mais dispares) que a qualidade individual do escolhido para uma determinada tarefa [veja-se o PS e uma das irmãs Medeiros que agora é sua deputada, têm um talento igual ao do pai, ou seja ZERO e de tudo têm feito para evitar o trabalho a qualquer preço (cigarra esperta), diga-se em abono da verdade na linha do progenitor (outra cigarra não tão esperta). A sua irmã (essa nem para cigarra serve) tem um recorde, a única pessoa que filmou com Tarantino e não lançou, ou não relançou a respectiva carreira].
Agora as causas para a cultura ter uma tão parca renovação de gerações são essencialmente financeiras e com tal impossíveis de combater por quem embora queira ajudar (estado), pois embora a intenção seja boa, só desajuda.
A cultura tem de ser uma indústria e não uma carrada de subsídios onde existe sempre alguém que acha que não foram atribuídos imparcialmente!
A ópera como já outrem disse há uns anos atrás é suposto dar prejuízo, os escândalos com dinheiros na orquestra sinfónica de Lisboa, os da SPA, o cinema europeu de autor (no resto da Europa já vão abandonado essa parvoíce, mas cá ela está mais enraizada que nunca) e fez o mesmo mais pelo cinema americano que as multinacionais de Hollywood todas juntas, Onde o nosso maior expoente é um chato com mais de cem anos e nunca conseguiu fazer um filme que não fosse subsidiado e nunca fez um que não desse prejuízo. Se realmente o lucro na cultura não pode ser objectivo único, o ridículo não pode ser o principal e uma Branca de Neve a preto como tivemos há uns anos atrás dum inútil que fez ao cinema o mesmo favor que o Carlos Paião fez há música, Morreu! É um dos exemplos máximos do que me refiro!
O problema daquilo que a que chamam cultura neste país é a mediocridade de algo ou alguém que por muito bom passa devido a pertencer a um qualquer grupo com influência nos media.
Por falar em influencia nos media, sabem o quanto chateamos tudo e todos para o Saramago ter o Nobel?
Pois… Eu sei!
Quanto a livros, lá porque existem pessoas que têm necessidade de os escrever, não quer dizer que existam pessoas que tenham necessidade de os ler!
E se queremos incrementar essa necessidade é bom que as editoras percebam que um livro não pode custar na ordem média dos 20€ e que esperar subsídio para o papel não é solução. O custo tem de baixar e o acordo ortográfico para a lusofonia é a única solução possível pois o nosso mercado é pequeno demais para grandes edições na maioria dos casos dos autores de expressão portuguesa, em vez de andarmos com bacoquismos que a lado algum nos tem levado excepto aos proteccionismos do costume da suposta pureza do português falado em Portugal e que apenas alguns dominam e em breve estará a fazer companhia ao Latim (tão lindo, tão grandioso e tão morto) e onde o inglês que a alterações e novidades está aberto em breve será a língua corrente em todo o mundo ocidental!
Como tal parem, pensem e vejam que não é de mais subsídios que a cultura precisa, mas de um critério muito mais rigoroso na forma como esse dinheiro que para subsídios individuais tem sido dado é usado!
Publicado por Nuno Tonelo Sá da Silva às October 17, 2009 09:51 AM
Comentários
Caro Lord Byron:
Falando de Maria Medeiros,a que filmou com o Tarantino...já pensou que provavelmente o objectivo dela não era lançar ou relançar a sua carreira, que aquilo que, para si é uma carreira, poderá não o ser para ela. A nossa Maria, é uma estudiosa, é uma pesquisadora (a mulher licenciou-se em Filosofia pela Sorbonne), que faz aquilo que lhe dá na real gana, ainda não percebeu?? Quando lhe apetece vai filmar (mais de 80 filmes e curtas metragens), mas só se o projecto lhe agradar, quando quer realiza (Capitães de Abril, foi seleccionado para Cannes e foi premiado no Festival de São Paulo) e ainda arranja tempo para ser Artista pela UNESCO. Mas o que ela gosta mesmo é de curtir as suas duas filhocas e o seu espanholito pelas ruas de Paris...
Quanto ao pai, por favor, sem talento?? Voce diz com cada coisa....o homem só teve a mais alta classificação alguma vez dada pela Academia de Música em Viena de Austria, quando andou lá a estudar...por unanimidade do juri. É impressão minha ou há algum antagonismo com Portugal?
Sem mais assunto
Ass: Arroz Malandro
Publicado por: Arroz Malandro às October 22, 2009 04:49 PM